Por que a mídia resenha mais livros escritos por homens do que por mulheres, e escolhe mais homens do que mulheres para resenhar essas obras?
Começa assim o texto de Patricia Cohen para o New York Times.
O debate não é novo, tendo sido proposto em 2008 em artigo na revista alternativa Bitch.
Mas ganhou novas cores depois da publicação de uma pesquisa a respeito da divulgação de livros lançados no ano passado em território americano.
O veículo que menos divulgou trabalhos femininos em literatura, de acordo com a pesquisa, foi justamente o mais renomado: The New York Review of Books: foram 476 resenhas de obras escritas por homens, e 79 por mulheres: uma proporção de 6 para um.
Outra publicação que não aparece bem na pesquisa é a tradicional New Yorker; ano passado foram 36 resenhas de autores masculinos e nove de femininos.
Embora a pesquisa falhe ao não apresentar o número total de autores dos dois gêneros, sabe-se, por exemplo, que registrados na Penguin, uma das maiores editoras do meio, existem quase tantos escritores do sexo feminino quanto do sexo masculino: 45% para 55%. Nas demais grandes editoras, o número de homens supera o de mulheres.
Uma explicacão para o grande desequilíbrio é a de que os assuntos escolhidos por homens seriam mais interessantes ao paladar midiático. Homens, por exemplo, escrevem muito a respeito de política internacional, enquanto mulheres dominam o universo dos romances.
Outra ainda é a de que homens são mais agressivos na divulgação de suas obras, e por isso acabam aparecendo mais.
De qualquer forma, o debate está quente e até a bem cotada Slate mergulhou na onda publicando matéria que repercute a polêmica, assim como o Guardian, que fez um texto ainda mais agressivo.
FONTE Milly Lacombe PORTAL IG